A Conta do Alémpor Ren Inaba

22 · Cinquenta mil, cento e sete e setenta

Capítulo 22 · 14,7 mil palavras

Domingo de manhã, foi de frio que acordou. O radiador, frio pela metade de cima; a administração tinha colado um papel no cano: aquecimento cortado na manhã de domingo para manutenção. Olhou o papel: letra de impressora, datado de quarta da semana passada. Na quarta, ele não tinha estado em casa.

O arroz tinha passado a noite de molho na geladeira. Fez como ela disse: fervendo, abaixar o fogo, vinte minutos, desligar, abafar. O mingau saiu mais grosso que o de delivery. Tomou duas tigelas e lavou a panela.

Lavando a panela, lembrou: aquela cozinha tinha sido apagada ontem à tarde. Terminou de lavar e deixou a panela invertida no escorredor.

Às 9:00, revirou todos os cantos da casa. Procurava a escritura do apartamento.

O apartamento era dele: no sul da cidade, 46 metros quadrados, comprado em 2019; a entrada saiu da caderneta da mãe — não aquela dos 8,500, uma mais velha, o dinheiro da venda da casa antiga; a entrada, 80,000. Na escritura, o nome dele, só o dele. Quinze anos de financiamento, prestação de 2,210, faltavam 9 anos. Liang Chuan sabia; na época tinha soltado uma frase: apartamento comprado com dinheiro da mamãe, e na escritura só sai o teu nome. Ele não emendou. Daquela frase, 5 anos sem ninguém tocar.

A escritura ficava na gaveta de baixo da mesa de cabeceira, capa vermelha, empilhada com o registro de residência. Abriu. Primeira linha da página interna, titular: Liang Cheng. Regime: propriedade exclusiva. O campo da avaliação, vazio; isso a escritura não traz impresso.

Pesquisou no celular os preços de anúncio do mesmo condomínio. Mesma planta, andar do meio, reformado: anúncio de 710,000, quatro meses sem mexer. Um andar abaixo, 680,000, duas visitas. O dele era sem acabamento; na página da imobiliária, os sem acabamento do mesmo tipo saíam uns 30,000 abaixo dos reformados. No pé da página, uma linha miúda: venda urgente, preço negociável.

Os 80,000 da entrada tinham sido trocados pelas três casas de telha que a avó deixou. Em 2018, na beira da cidade do condado, o comprador queria o terreno e deu 110,000. Oitenta mil foram pra entrada; os 30,000 que sobraram ela guardou pra Niuniu, a poupança de estudos, a caderneta em casa de Liang Chuan. Aquilo ela nunca contou a ele; foi Liang Chuan que falou depois, quando ela ainda estava, na ceia de Ano Novo: o apartamento fica no nome que for; a gente é família.

No dia da entrega do imóvel, ele foi uma única vez abrir a porta. Sem acabamento: o parapeito com uma camada de poeira, o entulho amontoado na varanda; abriu a janela numa fresta. Do sul da cidade ao trabalho, hora e meia de metrô; não se mudou, seguiu de aluguel, e o apartamento ficou 5 anos vazio. O condomínio, 1,900 por ano; pagou ano a ano, 5 anos, os recibos guardados dentro da escritura.

Abriu o mapa e procurou a vila da avó. A vista de rua era de anos atrás; a acácia da entrada da vila, de pé; onde ficavam as casas de telha, cercado de chapa azul, e na chapa, o número da demolição, em tinta branca. Aproximou a imagem até a mais recente: até ali, nada além. Saiu do mapa e, um pouco depois, voltou e tirou uma captura daquela chapa. Não mandou pra ninguém. Guardou.

46 metros quadrados, 80,000 de entrada, prestação de 2,210. Fez a conta de cabeça: para o apartamento virar dinheiro, primeiro quitar o financiamento; saldo de pouco mais de 170,000. Vendido por 680,000, quitados 170,000, sobram uns 510,000. Comissão da imobiliária, impostos, cartório: mais uma casca fora.

510,000.

Ficou sentado um pouco. O 50,107.70 fazia um dia que morava no papel, escrito ontem no canto da conta de luz. Duas parcelas: 8,600, o orçamento de restauração; 41,507.70, o pendente de liquidação da conta. E a condição prévia, numa linha: conta sem pendente de liquidação. Ou seja: primeiro quitar, depois falar de restaurar. A ordem era fixa.

Puxou a conta de luz, foi até a linha do canto e acrescentou embaixo: venda do apartamento, uns 510,000. Pousou a caneta e ficou com os dois números. Batiam. O 10,000 da diferença eram impostos e imobiliária, mais as prestações dos 2 meses sem pagar.

Às 10:00 da manhã, ligou pro banco do financiamento perguntando da quitação antecipada. O atendimento disse: por agendamento, a fila anda até meados do mês que vem; com documento de identidade e cartão, numa agência. Perguntou se dá pra adiantar. Esse serviço não existe, disse o atendimento. Anotou: meados do mês que vem. Da imobiliária, já tinham dito: um mês pra resolver tudo. Pôs as duas datas no papel e traçou uma seta entre elas. A primeira seta do dia.

Ao meio-dia, não almoçou.

Às 13:00, mandou a He Yu a segunda mensagem. A primeira fora de 1.º de dezembro, perguntando pelo canal de restauração: entregue, não lida, 23 dias pendurada. Essa levou uma hora pra ficar pronta.

A primeira versão, comprida demais; apagada. A segunda, três linhas; também. O que saiu foram duas linhas:

«Sr. He, uma pergunta. A restauração do K-11: o pendente de liquidação, condição prévia, dá pra parcelar?»

Assim que enviou, se arrependeu: o dedo suspenso sobre «recuperar», alguns segundos, e afastou-se. No orçamento estava escrito: condição prévia: conta sem pendente de liquidação. As cláusulas não falavam em parcelamento. Ele, de cobrança, sabia melhor que ninguém o que significam as palavras «condição prévia» — prévia significa que não existe depois.

Pôs o celular virado pra baixo na mesa. Dois minutos depois, ergueu: a mensagem, «entregue». Meia hora mais, «não lida». He Yu, de sábado e domingo, não olhava mensagem de trabalho; a frase da sala de servidores fora dele mesmo: isso não entra na avaliação trimestral, nós não temos meta.

Não ficou esperando. Abriu de novo a explicação das alterações no app. A página de detalhe de uma conta de Nível 1 era mais curta que a de Nível 3 em mais da metade, os campos esparsos: voz básica, módulo de ligações, cena única. Embaixo de cena única, pendurada uma imagem de pré-visualização, miniatura, do tamanho de uma mão. Uma cama, encostada na parede. Uma cômoda, em cima um espelho; no espelho, nada mais refletido. Atrás da porta, pendurado, um casaco, azul-marinho.

Ampliou a imagem. No limite do zoom, embaçada; os punhos do casaco, dobrados duas voltas. Aquele casaco de tricô, ele conhecia.

No pé da imagem, uma linha miúda: a cena é renderização padrão; o acesso real se rege pela configuração do nível.

O varal eram duas cordas de náilon vermelhas, amarradas no juazeiro do quintal; na corda, o ano inteiro, aquele casaco de tricô. Tudo isso o disco não tinha. No disco, a peça pendurada atrás da porta da renderização padrão, punhos dobrados duas voltas. Ele não sabia de onde o sistema sabia das duas voltas, nem a quem perguntar. Desse não saber, uma semana tinha enxido uma gaveta.

Tirou uma captura da miniatura. Depois viu que não servia: ampliada, embaçada do mesmo jeito; embaçada, guardou também.

Ficou um instante com a linha e saiu. Do quarto, ele nunca tinha entrado; mas aquele casaco de tricô ele tinha tocado — na corda do varal, molhado; aos 7 anos, ajudou a recolher uma vez; dobrar os punhos duas voltas era o jeito dela, para não arrastar no chão.

Às 14:00, ligou pra recepção do prédio B. A moça reconheceu a voz. Perguntou quanto tempo aquela caixa junto à recepção podia ficar. A moça folheou o registro: três dias; amanhã, o último; depois de amanhã à tarde, volta pra administração. Ele disse que entendeu.

Desligou e mandou um SMS a Su Man: Chefe, a caixa vence amanhã, volta pra administração. Se quiser pegar, manda alguém pegar.

Enviado, nenhuma resposta. Esperou 10 minutos e pousou o celular. O último registro continuava na quinta; ele perguntara se precisava de ajuda pra carregar; também aquilo sem resposta.

«Apagar é boa morte», ela dizia. Na época, a frase soava a gíria do ofício dela; agora caía em cima dele. Ela o introduziu no ofício em 90 dias; a primeira coisa que ensinou foi ouvir faturas. A última lição não veio de ninguém; ela mesma entregou a prova e foi embora.

Às 15:00, fez a outra coisa. Ligou pra imobiliária.

— Alô, o anúncio do sul da cidade?

— Vender.

— O senhor é o proprietário?

— Eu. Condomínio Mingcheng Yayuan, edifício 7, andar do meio, 46 metros quadrados.

— Seu Liang, para essa planta temos agora mesmo um cliente perguntando—

— Venda urgente — disse ele. — Pra fechar em um mês, quanto dá pra anunciar?

Do outro lado, som de página virando. — Sendo urgente, entre 650,000 e 660,000. O financiamento: a baixa da alienação é por conta do senhor; comprador pagando à vista, mais rápido. O imóvel tem alienação, né?

— Tem.

— Então faça a conta: o dinheiro da baixa da alienação e quanto sobra de líquido. Seu Liang, conselho: pense bem antes de anunciar; anunciado o preço de urgência, não tem volta.

— Sei — disse ele. — Já pensei.

— Registro então como urgente; hoje à noite mando pra três clientes de verdade, amanhã marcamos hora pra fotos.

— Sem acabamento, não tem o que fotografar.

— Sem acabamento vende bem, seu Liang. Comprador gosta de reformar por conta própria.

Desligou e escreveu no papel: 650,000; quitado o financiamento de 173,000, restam 477,000. Impostos e imobiliária, 7 pontos fora: sobram uns 430,000. Não alcança.

430,000; faltam 70,000.

Pousou a caneta. Faltavam 70,000. No bolso, 7,467.62; o salário de dezembro já tinha caído, o de janeiro, só no dia 15; em suspensão, paga a 60 % do salário base: 5,412. A taxa de ocupação, 105 por semana, continuava correndo, e o pagamento do adiamento, os 6, também cortados — o terminal cinza, a confirmação de pagamentos impossível de clicar; as duas parcelas, agora, sem porta pra entrar. O dinheiro não era o problema; o problema era que até a porta pra pagar tinha fechado.

Olhou o buraco. 70,000. A Pontuação de Piedade Filial: 186,000 de linha, 60 parcelas, prestação de 3,100. Na ordem, escrito: usado, sai da fila na hora. Ele tinha clicado em «ainda não usar».

Sair da fila. Ele deu uma pensada na expressão. Sair da fila significava: ela saía daquela fila de 512 dias. Mas a condição prévia da restauração é não ter pendente — a linha da Pontuação entrando na conta, conta como quitação? Folheou as capturas das cláusulas da ordem até a terceira tela; havia uma linha que antes ele não tinha lido direito:

> Os recursos da linha de crédito, uma vez creditados, entram na compensação do pendente de liquidação; enquanto a compensação não se completa, o estado da conta não muda.

Enquanto a compensação não se completa, o estado não muda. Ou seja: o dinheiro entra, primeiro nivela a conta; a conta nivelada, é que a fila aceita. Sair da fila e restaurar eram dois movimentos, um na frente do outro, com a meia jornada de estrada da retirada do disco e a reconstrução de 48 horas, no mínimo, no meio.

Leu a linha três vezes. A lógica fechava. Fechando, dava pra andar.

Prestação de 3,100, sessenta parcelas. Ele tinha 34 anos; ao quitar, estaria com 39. Escreveu no verso da planilha de pagamento: a partir de janeiro, 3,100. Escrevendo, fez a conta: salário 9,020, aluguel 2,400, crédito estudantil 2,180, Pontuação de Piedade Filial 3,100 — somados, 7,680; restam 1,340. Almoço 418, transporte 220, celular 88; restam 614. Olhou a conta dos últimos três meses; o número era conhecido: quando ele trocou de posto, 3 anos atrás, o que sobrava no fim do mês era exatamente esse.

As capturas do contrato da Pontuação ainda estavam no celular, capturadas em 6 de dezembro. Foi até as duas últimas páginas. Cláusula de penhor: os rendimentos salariais e o fundo de garantia dos próximos sessenta meses do próprio. Cláusula de inadimplência: três parcelas seguidas em pagamento insuficiente, elevação para desconto integral, com registro no cadastro de crédito.

Em suspensão, a 60 %: 5,412. 5,412 menos 3,100 menos 2,180: restam 132; o aluguel de 2,400 não cobre mais. E se a conclusão da verificação viesse ruim — os 4 minutos de Su Man, na quinta, ele tinha visto: 12 anos de posto, limpo, o acesso cancelado. 7 anos dele: 2 minutos davam.

O salário de janeiro cai no dia 15; a conclusão da verificação chega antes, dia 26 às 10:30 da manhã: 20 dias de diferença. Escreveu as duas datas lado a lado e traçou a seta entre elas.

Depois viu a outra linha. A que tinha acrescentado à planilha de pagamento no mês passado: AC-0417, taxa de ocupação 105.00/semana; embaixo, pagamento do adiamento, 6.00/semana. 111 por semana, 444 por mês. As duas linhas, depois da quitação, deixavam de existir. Traçou um traço sobre as duas e riscou. Riscadas, ele viu que não: depois da restauração, a cobrança pelo nível Básico, 45.00 yuans/mês. Escreveu o 45 embaixo das duas linhas riscadas.

A conta fechava. Fechando, restavam 569.

Leu a página do começo ao fim. A linha do aluguel, 2,400, ganhou um olhar a mais. Vendido o apartamento, o aluguel continuava. Se tivesse se mudado pro do sul 2 anos mais cedo, poupava 190 por mês. Mal a ideia nasceu, ele a abafou — hora e meia de metrô; quem sai às 10:00 de hora extra não pega o último trem. Depois da linha do aluguel, um parêntese: (não muda).

No fim da tarde, ligou pra Liang Chuan. Seis toques, desligou. Não insistiu.

Quarto de hora depois, o SMS: tava na obra. Que foi.

Digitou, apagou, digitou de novo: a conta da mamãe, degradada. O sistema apagou. Apagou dois itens; um é você.

Enviou. Do outro lado, «escrevendo...», parou, de novo. Cinco minutos depois, veio um áudio, dezenove segundos. Abriu. A voz de Liang Chuan, vento por trás:

«Que significado tem apagarem a mim? Foi ela que mandou apagar, ou foi a máquina?»

Respondeu: a máquina. Ela degrada, apaga por peso; quem pesa menos, apagado.

Do outro lado, «escrevendo...» por muito tempo. No fim, veio texto: então se eu ligar de novo, serve?

Ficou olhando a frase. Serve — cinco minutos completos, 7 dias de abatimento por semana; só que ela agora era Nível 1, e se Nível 1 ainda tem direito ao adiamento, ele não sabia; precisava checar as cláusulas, e o terminal estava cinza. Nessa também respondeu a verdade: não sei. Segunda eu vejo.

Do outro lado, nada.

Meia hora depois, mais uma: a Niuniu perguntou se pro número da vó ainda pode ligar; eu disse que pode. Se ela quiser ligar, você barra ou não.

Respondeu: não barro. A qualquer hora.

Enviado, olhou a frase. A qualquer hora — 1.20 o minuto, entra no pendente de liquidação, integra no dia 14 do mês seguinte. Nada disso ele digitou.

19:00, noite fechada de vez. Estendeu na mesa os papéis da tarde: a conta de luz, a planilha de pagamento, a avaliação da imobiliária, o PDF do orçamento capturado no celular. Repassou de cima a baixo mais uma vez.

Na metade do repasse, parou, reabriu o texto ASR de sábado e desceu até 【02:58】. O dinheiro de casa… — embaixo da meia frase, o mesmo bloco cinza. Apagou a tela e seguiu o repasse.

650,000; 430,000 líquidos; faltam 70,000. A Pontuação cobre os 70,000; o buraco fecha. Compensação, sair da fila, e então 8,600, retirada do disco, reconstrução, calibração, 5 a 9 dias úteis. A reconstruída seria ela de 14 de março, 09:52:11 da manhã.

Pegou a caneta e anotou a hora no papel. Anotando, lembrou que o número já tinha sido escrito — a nota na capa do crachá, quinta linha, K-11 09:52:11.

14 de março, 09:52 da manhã. No hospital, lúcida. O contrato, assinado na madrugada do dia 13. Recém-saída da assinatura, ela tinha dito três coisas a Liang Chuan. Às 09:52, faltavam 7 horas pra ela partir. Essas 7 horas dela, dentro do disco. As 5 horas de fora do disco, Liang Chuan de vigia; ele não chegou. Mais além, os 5 anos: 2,913 entradas de diário, 41 suavizações, a vez em que ela o reconheceu, a dos 47 segundos, o Chuanchuan e o funeral apagados ontem à tarde em dois cortes — tudo fora do disco.

O que significa restaurar, escrito nas cláusulas: manda o instantâneo; o que veio depois, apagado.

Pousou a caneta.

20:30, escreveu no papel as perguntas do dia seguinte, numeradas. Um: o pendente de liquidação, dá pra parcelar, ou compensar? Dois: a assinatura do executor em suspensão, vale; e quem assina a solicitação de restauração? Três: Nível 1, o adiamento das ligações familiares ainda se aplica? A quarta, ele quis escrever; a caneta parou um instante, e não desceu: aquela de depois da reconstrução, vai perguntar por esses 5 anos?

Escrever ou não, tanto faz. As cláusulas perguntariam no lugar dele.

A conta no papel estava certa. As contas sempre estiveram certas. Sete anos de ofício, e pela primeira vez uma conta certa doía — no fim do cálculo, cinquenta mil, cento e sete e setenta compravam de volta uma ela que não sabia que ele tinha vindo.

Às 21:00, puxou a nota da capa do crachá e, embaixo da sétima linha, acrescentou a oitava: perguntar se a Pontuação compensa o pendente. Acrescentada, não meteu de volta: deixou a nota pesando em cima dos papéis.

O celular acendeu. A resposta de He Yu, uma frase só:

«Segunda de manhã, no B2. Traz o documento de identidade.»

Um minuto depois, mais uma:

«Não entra no fluxo de aprovação. Esse canal não passa por gente.»

Leu as duas duas vezes. A segunda, não entendeu; não perguntou. Lembrou de uma coisa: no canto da página de solicitação de visita profunda, a letra cinza menor de todas: GAC, canal de aceleração executiva; ele, sem permissão pra ver. «Esse canal não passa por gente» — passa por onde, ele não sabia. Segunda, ele sabia.

Respondeu «tá» e marcou o alarme pra 7:00. Terceiro dia de suspensão: pro B2, o cartão dele não passava — o acesso rebaixado ao térreo. Pensou, tirou o documento de identidade da mesa de cabeceira, empilhou com o crachá e deixou sobre os sapatos da entrada.

De noite, deitado, repassou o caminho do dia seguinte na cabeça. Metrô, baldeação, prédio B. Até o térreo; dali, alguém tinha de descer buscá-lo. Não sabia quem. Pensando, dormiu.

O último pensamento antes do sono foi o mingau. A panela ainda invertida no escorredor. Amanhã de manhã: primeiro o fogo, ou primeiro a porta?

Alarme marcado, pensou mais uma vez e mudou pra 6:30. O mingau pede os vinte minutos, e o abafar.

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