A Conta do Alémpor Ren Inaba

21 · A suspensão

Capítulo 21 · 15,6 mil palavras

Na noite anterior, chegou de último trem às 11:30. Atirou o crachá na gaveta, deitou; acordou uma vez às 2:00, outra às 4:00. O alarme estava marcado pra 9:30 e ele abriu os olhos às 8:00; ficou deitado ouvindo o radiador um tempo. Na porta da geladeira, a planilha de pagamento de dezembro, linha por linha pra baixo; a última, com letra menor que a das outras. Levantou pra ferver água, não comeu nada e ficou sentado até as 9:56.

Sábado, 9:56 da manhã, Liang Cheng na borda da cama, a página de disposição de contas do terminal de trabalho aberta. No campo de estado, uma palavra: livre.

10:06, o estado saltou para «em ligação». Embaixo, um contador: 00:01, 00:02, andando um segundo por vez. Ele não se mexeu; ficou vendo o número andar. Dentro do radiador, som de água, em ondas.

10:11, o contador passou de 05:00. Fechou o punho uma vez, e abriu.

O contador parou em 05:12; o estado voltou a livre. O registro de ligações ganhou uma linha: chamador, Liang Chuan. Conexão 05:12. Resposta válida 05:04. Desligamento: chamador.

A ata leva mais de uma hora pra ser gerada. 11:26, o texto ASR pendurado. O aviso, a mesma linha miúda: só se grava a faixa de áudio do lado da personalidade; o lado do chamador não é gravado; o texto é somente para arquivo, não constitui comprovante.

Abriu.

> 【00:12】Comeu? > > 【00:34】O mingau do delivery não presta, sai ralo. Cozinha você: na noite anterior, deixa o arroz de molho; fervendo, abaixa o fogo, vinte minutos, desliga e deixa abafado; de manhã fica no ponto. > > 【01:05】Chuanchuan, aí do teu lado tá frio? > > 【01:38】O normal é frio. Veste a calça térmica. Quando era pequeno, chegava o inverno você tossia, e tossia o inverno inteiro; no fim, fui eu que te dava pera com açúcar cristal no vapor; uma vez, e quinze dias bons. > > 【02:11】Vestindo, já resolve. > > 【02:40】Não se empolgue com serviço de depois do Ano Novo; depois do Ano Novo, o dinheiro do serviço custa a receber. > > 【02:58】O dinheiro de casa… > > 【03:10】Nada, só perguntei. No guisado, dois anis-estrelados bastam; mais que isso, amarga. Não deixa a criança virar a noite. > > 【04:15】E o teu irmão. > > 【04:37】Ah. O dele é assim: estar ocupado é coisa boa. > > 【05:08】Tá, vai, vai; a panela é o que manda.

O lado do chamador, tudo vazio. Foi emparelhando frase por frase, e pelas frestas foi adivinhando o que Liang Chuan dizia do outro lado: veste. Normal. Depois do Ano Novo tem serviço. Ele tá ocupado. Um ponto não deu pra adivinhar. Em 【02:58】, «o dinheiro de casa…», a frase parou no meio; a seguinte só veio doze segundos depois. O que Liang Chuan disse naqueles doze segundos, ou se não disse nada, no texto era um bloco cinza com a inscrição: lado do chamador não gravado.

Leu a página três vezes. Na terceira, parou em 【05:08】. Ela não desligou primeiro. Na coluna do Desligamento: chamador. Esperou ele desligar, e só então cortou. Aquela frase que ela escrevera no diário em 30 de novembro: cumprida.

A meia frase de 【02:58】 ele conhecia. Em 8 de dezembro, na cozinha, ela perguntou: o dinheiro de casa, tá apertado? Daquela vez, ele desviou a conversa com o roteiro; as seis linhas do detalhe, sabia de cor, e não leu nenhuma. Desta vez o lado do chamador não ficou gravado: se Liang Chuan respondeu, e o que respondeu, no texto, um bloco cinza.

Debaixo do registro de ligações, rolou uma linha de resumo: acumulado da semana de ligações de familiares 05:04; meta alcançada; desconto de 7 dias do cronograma de degradação. Cronograma restante: 246.

Entrou um SMS de Liang Chuan: Liguei. Desliguei.

Respondeu: Hm.

Um minuto depois, outro: ela disse que mingau pede o arroz de molho desde a noite anterior.

A esse, não respondeu.

10:40, chegou o e-mail. Quem assinava não era o chefe de grupo de Liang Cheng: era o Centro Compartilhado de Serviços de Pessoal, um endereço que não responde.

Assunto: 【Aviso】Verificação por suspensão (72 horas)

> Liang Cheng (matrícula L-0284): > > Conforme o capítulo 11 do Manual do funcionário e o artigo 5.3 das Normas de gestão das permissões de disposição, entra em período de verificação por suspensão pelos itens abaixo, total de 72 horas (2023-12-23 10:30 a 2023-12-26 10:30): > > 1. As duas visitas profundas de 8 e 15 de dezembro, com registro de finalidade divergente do conteúdo das atas (atas DA-R-0417-002/003; 3 formulações fora do roteiro); > 2. Recusa de execução da suavização cognitiva em 11 de dezembro, uma advertência (VT-2023-1187), já com advertência escrita em vigor (18 de dezembro); > 3. Informação circulando na rede envolvendo contas associadas às suas próprias ordens, em verificação. > > Durante a suspensão: permissões de disposição congeladas (operação de ordens, consulta de contas, visitas profundas, confirmação de pagamentos em nome de outrem); acesso reduzido ao térreo do prédio B; remuneração paga a 60 % do salário base. Permaneça localizável até as 10:30 de 26/12; a conclusão da verificação será comunicada à parte.

Debaixo da terceira causa, nenhum link. Subiu pelo texto até aquela expressão, «contas associadas às suas próprias ordens», e contou as palavras: seis.

Pela terceira, ele esperava desde a noite anterior. Aquele post de rumor de quinta, «no grupo deles tem mais um que paga a conta da própria mãe, e ainda por cima é cobrador»: a conta que publicou, perfil esvaziado; o post, apagado; a captura, ainda circulando. Sexta à tarde, alguém do grupo da empresa tinha repostado a captura, recuperou, um minuto depois repostou de novo, e dessa vez não recuperou. Ele viu; não disse nada. Dez minutos depois, a assistente de Feng Tuo entrou no grupo com duas frases de linha oficial, pedindo que ninguém comentasse. A linha oficial, quase do tamanho do post.

No pé do e-mail, uma lista de anexos. O sétimo item: «Tabela de transferência de contas em andamento», seis. Sexta, ele tinha acabado de copiar pra mesa de trabalho a letra do papel de Su Man; a casa das observações, o texto original: Difícil. Não apertar. O filho tá no Sul; o telefone dele atende; não ligar de manhã, de manhã ele dorme.

Na casa do parecer da tabela, escrito: durante a suspensão, administração provisória do chefe de grupo.

Mandou mensagem ao chefe de grupo: na anotação da tabela, a conta do filho no Sul; não ligar de manhã, ele dorme. Voltou um «recebido»; meio minuto depois, outra linha: cuida de você primeiro.

Às 11:00, os ícones do terminal amanheceram cinza. Foi clicando um a um: disposição de contas, cinza. Visita profunda, cinza. Cache de introspecção, cinza. Confirmação de pagamentos, cinza. Quis puxar pra ver o próprio histórico de operações de 7 anos; a página dos registros, cinza também. A última coisa que abriu foi a nota da capa do crachá; papel, sem conexão, ainda acesa — puxou a nota, olhou uma vez e meteu de volta. Seis linhas; a quinta, K-11 09:52:11; a sexta, «Risco alto.»

Leu o e-mail duas vezes e clicou em «lido». Clicado, abriu uma página de recibo; o destinatário do recibo, mais uma vez aquela que não responde.

«Risco alto»: tinha visto sexta, na última linha do formulário de verificação; tinta azul-preta, a letra pisando as linhas. No e-mail desta manhã, aquelas duas palavras, não. Percorreu o texto duas vezes pra cima e pra baixo: não estavam.

As três formulações fora do roteiro, ele sabia enumerar sem abrir as atas. A primeira: «Esses pontos, dá pra usar pra outra pessoa?», e a resposta dele, «dá pra transferir»; pergunta e resposta que o roteiro não tinha. A segunda: costurar sola de sapato, oito li o par; fiar um fuso, um ponto de trabalho — a tradução dos pontos de trabalho; as duas frases entraram na gravação. A terceira: o ensaio; «faz de Chuanchuan uma vez» caiu na página 21 da transcrição. Sexta, o jurídico o fez confirmar o termo de declarações; as três já impressas no papel, e ele assinou uma a uma como verdadeiras. Na época, ninguém disse que aquilo era problema. Hoje, este e-mail chama aquilo de causa um.

A tabela de transferência ele imprimiu sexta à noite e trouxe pra casa; três folhas A4. Ao meio-dia, estendeu na mesa e repassou. Zheng, 3,340.66, parcelamento na 14.ª prestação, prestação de 186, vencimento dia 14. A senhora Shao, 300 em parcelamento, probabilidade de recuperação 78 % — Su Man dizia que tinha escrito alto, que ela punha 60. Li, o filho no Sul, o telefone atende; não ligar de manhã, de manhã ele dorme. Wang**, a filha no exterior, contato por e-mail; demora pra responder, não é que não pague. De lápis, numerou na margem o que precisava passar, um item por vez; chegou ao seis. No item seis, parou. Essas seis contas vinham de Su Man; Su Man tinha ensinado: «Não escute o que dizem, escute as faturas deles.» Suspendido como estava, as faturas iam ficar um tempo sem quem escute.

Dobrou as três folhas e meteu na capa do calendário de parede, atrás da porta. Se segunda as permissões voltassem, entrega em mão. Se não, o papel ficava ali; quem pegasse, lia.

De tarde, foi ao supermercado. Comprou um maço de bok choy, seis ovos, um saco de arroz. Na fila, os dois da frente falavam do assunto em alta; uma dizia que aquela mulher até que dava pena; a outra, pena o quê, a indenização da empresa ela resolveu tudo. O leitor do caixa não apitou; o saco de arroz passou na segunda leitura. Saiu com as sacolas, o vento esticando o plástico contra os dedos; duas marcas brancas.

Xiao Zhou mandou uma mensagem: Cheng, aquilo que falaram no grupo, não tem nada a ver com você, né. Meio minuto depois, outra: esquece que perguntei. Liang Cheng respondeu com um ponto. Do outro lado apareceu «escrevendo...», ficou um bom tempo, e nada veio. Rolou a conversa pra cima; a mensagem anterior parava no fim de novembro, a do registro do micro-ondas.

15:00, térreo do prédio B. O cartão dele ainda passava, mas só um andar. Junto à recepção, empilhada, a caixa de Su Man, etiqueta pra fora: para retirada. Ficou um tempo de pé. A moça da recepção o conhecia; perguntou: retirar pra outra pessoa? Precisa do documento do titular. Ele disse que não retirava, e foi embora.

No quadro de avisos da porta do elevador, uma folha A4 presa pelos quatro cantos com fita transparente: «Nota de esclarecimento sobre informação falsa circulando na rede nos últimos dias», datada de quarta. No canto inferior direito, alguém tinha passado a caneta num ponto de interrogação; passou duas vezes. Leu de pé, dois minutos. Item por item, batia com as contas que ele tinha conferido; nenhum item citava a AC-0417, nenhum citava pessoas.

15:30, sentado nos degraus da loja de conveniência embaixo do prédio, abriu no celular o app da Nuvem do Além. A página de eventos da conta, assinada pelo executor.

Conta: AC-0417. O campo de estado tinha mudado.

Ontem, fundo amarelo; hoje, uma linha em vermelho: alteração estrutural em curso (sem visita no local · avaliação de degradação em andamento). Abriu o detalhe, e a página soltou uma explicação em fundo cinza:

> Devido ao congelamento das permissões do executor de disposição, esta conta entra em estado de sem visita no local. Conforme a «Estratégia de manutenção da continuidade da personalidade» V4.2 §5.1, ao completar 6 horas sem visita no local executa-se a avaliação de degradação; aprovada a avaliação, executa-se a degradação, e degradado, não se recupera.

Releu a linha das 6 horas. Congelamento às 10:30. Fez a conta: 16:30.

Mandou mensagem ao chefe de grupo: dá pra indicar um executor de disposição temporário? Passados uns dez minutos, a resposta: perguntei; no fluxo não existe esse item; durante a suspensão, a conta fica com o sistema. O que é ficar com o sistema, ele sabia. O sistema não fica no local; o sistema só avalia.

16:29, levantou-se pra andar pra casa. Na metade do caminho, o celular vibrou.

Push. Um push do sistema, um quadradinho de borda cinza, igual aos centenas que, em 5 anos, ele tinha lido em voz alta pelos outros:

> 【Nuvem do Além】A conta AC-0417 concluiu a degradação (Nível 3 → Nível 2). Itens eliminados nesta degradação: filho mais novo · Liang Chuan; marido · funeral. Armazenamento restante: cena do fogão (comprimida), voz básica, módulo de ligações. Você pode acessar o lado dos familiares para ver a explicação das alterações.

Parou no meio da calçada. Atrás, um carro buzinou; ele deu um passo pro lado.

Filho mais novo · Liang Chuan. Marido · funeral.

Abriu a explicação das alterações. Na lista de itens a eliminar, a linha do PENDING-0417-01 tinha perdido o fundo laranja; o estado passou de «a eliminar» para «eliminado», hora da eliminação 16:32:47. Peso do nó: 0.31. Última atualização de dados: há 3 anos, Meio do Outono, 00:14. Embaixo, mais uma linha em letra miúda: marido · funeral (217 memórias associadas, peso 0.31, eliminado).

217. Ficou um instante com o número. 217 dias; 217 memórias. Ele não via aritmética nenhuma ali dentro; provavelmente não havia.

16:36, o segundo push:

> 【Nuvem do Além】A conta AC-0417 concluiu a degradação (Nível 2 → Nível 1). Itens eliminados nesta degradação: módulo de cena · cozinha; associação de paladar; índice de eventos dos últimos três anos. Armazenamento restante: voz básica, módulo de ligações, cena única (padrão). Você pode acessar o lado dos familiares para ver a explicação das alterações.

A cozinha tinha acabado. A panela no fogão, a chaleira de alumínio com a água, os azulejos brancos de rejunte amarelo, a nota na geladeira — «Fechei o gás?». A conta de luz encharcada de óleo. As marcas velhas de faca na tábua. Ele ainda pensava que, da próxima vez que entrasse, teria de falar com ela daqueles 47 débitos de 180. Agora não precisava mais pensar na cota do mês: a cota, restava uma, e ele não entrava mais; permissões congeladas até o dia 26, às 10:30 da manhã.

E a nota no papel de maço de cigarro, ainda estava? Três linhas, presas debaixo do ímã da geladeira, coladas ao «Fechei o gás?». Se a geladeira contava como cozinha ou contava como ela mesma, as cláusulas não diziam. Percorreu a explicação das alterações três vezes; na lista de eliminados, nenhuma linha para a nota. Sem a linha: podia ser que não tivessem apagado, podia ser que não valesse o apagamento.

O que resta a um perfil de Nível 3 sem cozinha, ele sabia de cor, pelas cláusulas: voz básica, módulo de ligações, cena única. A cena única, por padrão, é o quarto. Daquele quarto, ele nunca tinha entrado.

À noite, virou a conta de luz e acrescentou uma linha no verso. A frente era a cópia dos 47 débitos, da noite de quinta. Acrescentou: 12/23 16:32, eliminado Chuanchuan. 16:36, eliminada a cozinha.

Terminou, tampou a caneta e não calculou mais.

20:30, não conseguia ficar deitado; sentou de novo e repassou os assuntos em alta. #FuncionáriaApagaAPersonalidadeDigitalDaFilha# tinha caído do 3.º para o 11.º; mais abaixo, ao rolar, o 17.º. No topo, outras notícias. O push oficial dos 96.4 % continuava na página inicial, as curtidas paradas no número de ontem. O post da virada, impossível achar; a captura do apagamento continuava circulando, e nos reposts tinham surgido perfis novos. Um comentário dizia: contam que no grupo deles tem mais um, pagando a conta da própria mãe. Embaixo, perguntavam quem era; ninguém respondeu.

Mais uma captura comprida circulando, de quem quer que tenha puxado a tabela de preços do nível Básico: 180 por mês; embaixo, alguém fazendo a conta — um dia dá 6 yuans; nem 6 yuans por dia ele pagava. Dessa conta ele já tinha visto outra: no mês passado, alguém do grupo fez a mesma; na época, ele não emendou; desta vez, também não.

Pôs o celular virado pra baixo.

21:00, veio mensagem de Liang Chuan: uma captura, o push do próprio nome no lado dos familiares, idêntico ao que ele tinha recebido, emoldurado de vermelho: itens eliminados: filho mais novo · Liang Chuan.

Embaixo, uma linha: o que isso quer dizer.

Liang Cheng ficou olhando a linha. Pensou e respondeu: o sistema apagou. Degradação. Deixa isso pra lá.

Depois de enviar, apagou o «deixa isso pra lá» e trocou por: segunda eu resolvo.

Do outro lado, nada. Um pouco depois, a entrada dos Momentos de Liang Chuan acendeu um ponto vermelho. Abriu: nada de post novo; embaixo do post fixado, um comentário a mais, o mais recente, hoje às 21:21: se a mamãe ainda estivesse aqui, ver isso ia apertar o coração dela.

O avatar de quem comentava era o próprio Liang Chuan.

Deixou o dedo apertado sobre o comentário; o campo de resposta abriu, o cursor piscando. Digitou três letras, apagou, saiu. O ponto vermelho continuava aceso.

21:40, o celular vibrou de novo. Desta vez não era push, era o chefe de grupo: amanhã, na tabela, Zheng** fica congelado; o resto, não mexe. Mantém o celular ligado. Um minuto depois: 72 horas, não anda pra longe.

Respondeu: tá.

No app da Nuvem do Além, olhou o que dava pra olhar. A página de pontos continuava lá: saldo 6. A coluna do cupom de restauração, preço 200, o ícone como sempre. Ficou um instante com os dois números e saiu.

O orçamento era o PDF salvo no dia em que saiu da sala de servidores do B2. Retirada do disco, 2,400; reconstrução, 4,800; calibração, 1,400; total, 8,600. Embaixo, a condição prévia numa linha: conta sem pendente de liquidação. Passou o número do pendente pela cabeça: 41,507.70. As duas parcelas somadas: 50,107.70. No disco, ela de 5 anos atrás — o fogão de pé, o funeral sem apagar, Chuanchuan pendurado na lista de itens a eliminar, intocado; ninguém a menos. Fora do disco, ela, hoje à tarde, tinha levado dois cortes; restava um quarto em que ele nunca tinha entrado.

A página de solicitação pedia assinatura de executor. E esse executor dele, até as 10:30 da manhã do dia 26, não abria nem uma ordem.

Fechou o PDF. Sem captura.

Pôs o celular virado pra baixo na mesa. Lá fora, alguém soltava petardos; não era Ano Novo, era a inauguração de um restaurante aqui embaixo. Uma onda, outra.

Lembrou de uma mensagem sem resposta; abriu o terminal de trabalho — cinza, sem entrar. Era a que ele mandara a He Yu em 1 de dezembro, perguntando pelo canal de restauração; o estado, «entregue», sem mudar. Não era isso que ele queria perguntar. Queria perguntar se o que foi apagado ainda existia dentro do K-11. O K-11 era o instantâneo de 14 de março de 5 anos atrás, 09:52:11. A cozinha, naquela hora, ainda estava de pé. O funeral ainda não tinha acontecido. Chuanchuan ainda pendurado na lista de itens a eliminar, sem apagar.

Nesse instantâneo, ninguém a menos.

Tirou o crachá da gaveta, virou pro verso e, embaixo da sexta linha da nota, acrescentou a sétima: no instantâneo tem tudo. Acabado, guardou o crachá na gaveta, apagou a luz e deitou.

23:00, no escuro, o celular acendeu mais uma vez. Ele não olhou. A linha vermelha do push ele já sabia de cor; e, recitando, descobriu que entre «filho mais novo · Liang Chuan» e «marido · funeral» parava sempre no ponto e vírgula, como se aquele ponto e vírgula fosse uma pausa pra respirar.

Não conseguia dormir; levantou e deixou o arroz de molho. De molho na noite anterior, fervendo, abaixar o fogo, vinte minutos, desligar e abafar.

O que ela, de manhã, tinha acabado de ensinar a Liang Chuan.

Continuar para o próximo capítulo

22 · Cinquenta mil, cento e sete e setenta

Comentários (0)

Entre para participar da discussão

Entrar