Segunda, 10:04 da manhã, o sistema soltou uma notificação.
【Notificação de punição por infração de funcionário】 Número: VT-2023-1187 Punido: Liang Cheng (L-0284) Motivo: operação auxiliar de disposição que devia ser executada e não foi (suavização cognitiva; ata vinculada DA-R-0417-002) Base: artigo 11, inciso 3, do Regulamento de operações de disposição de contas terminais Decisão: uma advertência; dedução de 100 pontos da pontuação anual de conduta Prazo de recurso: cinco dias úteis Cópia para: Feng Tuo, Recursos Humanos, Departamento de Conformidade
Abriu a página de recurso um instante; no alto, uma linha cinza: durante o prazo de recurso, não se suspende a eficácia da decisão. Fechou.
Debaixo da notificação, um link cinza: histórico de infrações. Clicou: o que ele mesmo juntara em sete anos: em branco. Só esta entrada. A página vazia de sete anos carregava mais rápido que as outras, rápido demais, como se o sistema soubesse de antemão que ali não havia nada a ver. Releu a entrada do começo ao fim, lendo o próprio nome; leu duas vezes.
Su Man voltava da copa, passou pelo posto dele, parou meio passo e deu uma olhada no título da tela. Sete anos passando por aquele posto; as vezes em que parou, uma mão conta.
— Vai em que ano.
— No sétimo.
— Primeira vez que vejo uma.
— Vê uma o quê.
— Uma recusa.
Dito isso, foi embora, a garrafa térmica na mão, sem rosquear a tampa. Chegando ao próprio posto, pôs a garrafa no descanso; a água balançou para fora um pouco, e ela enxugou com um papel.
À tarde, puxou a movimentação de pontos da AC-0417. Registro: AR-119112.
A movimentação tinha duas linhas ao todo.
2023-11-13 acesso de voz do executor qualidade de resposta: ótima +3 2023-11-23 ligação respondida resposta válida 00:41 abaixo do limiar de avaliação +0
Saldo: 3.
Foi à base de conhecimento buscar as «Regras de avaliação da qualidade de resposta · Recompensa familiar», V1.3, entrada no ar: 26 de outubro deste ano; embaixo, letra miúda: ligações anteriores à entrada no ar não são avaliadas retroativamente nem compensadas.
Avaliação em três faixas. Ótima: resposta completa, interação ativa e afeto positivo: 3 pontos. Boa: falta um item: 1 ponto. Regular: faltam dois ou mais: 0 pontos. Limiar: a resposta válida de uma ligação precisa chegar a um minuto.
Abriu também a letra miúda da explicação dos pontos. Transferíveis para conta do mesmo nível (o receptor precisa de verificação de identidade real). Leu uma vez com olho de ofício: ferramenta de retenção; dá ao familiar uma coisa para ir juntando; coisa que se junta, a gente pesa a mão antes de jogar fora. Desta leitura não saiu nada novo.
Clicou também na página de detalhe do cupom de restauração. Itens eliminados recuperáveis nesta conta: nenhum. Todos os itens eliminados já superam o prazo de restauração de 7 dias. A linha ele tinha lido uma vez a meio de novembro; as palavras não tinham mudado.
A área de trabalho, quieta à tarde. No posto de frente, Xiao Zhou dava baixa numa pilha de papel térmico: conferia um, carimbava; conferia um, carimbava. A tinta do carimbo saía desigual, uns nítidos, outros borrados.
Pegou a caneta e calculou na nota. O cupom de restauração, 200; uma ligação ótima, 3 pontos; 67 ligações. Quatro por mês, dezessete meses. A conta veio rápido, porque era simples: dois números, uma divisão, e saía um número fora de alcance.
O cronograma restante marcava hoje 271 dias.
Pousou a caneta, voltou a pegar e abriu outra linha: adiamento, cinco minutos, sete dias. Uma semana compra sete dias. Essa linha saiu devagar, porque não era simples.
Os dois números, postos juntos, se anulavam exatos. Era preciso que alguém marcasse os cinco minutos completos a cada semana, sem falhar uma. O minuto a 1.20, cinco minutos, 6 yuans; o dinheiro recaindo sobre ele ou sobre a conta, recaía.
Puxou a cópia da própria planilha de pagamento, acrescentou uma linha, a ponta parou, riscou. Riscou e escreveu de novo. A letra daquela linha, menor que a de todas as outras.
A linha dizia: pagamento do adiamento, 6.00/semana. Somada à taxa de ocupação, 105, uma semana 111, um mês 444. Circulou o número e, fora do círculo, escreveu de novo. No fim, dobrou a cópia ao meio e meteu na capa do crachá, apertada com a nota.
Sexta de manhã, os SMS chegaram em fila.
O de terça continuava no topo: pagamento em nome de outrem · taxa de ocupação da fila 105.00; saldo 3,087.62.
06:02 aluguel 2,400.00 debitado; saldo 687.62. 09:12 salário 9,020.00 creditado. 09:15 prestação do crédito estudantil 2,180.00 debitada; saldo 7,527.62.
Leu os três e meteu o celular no bolso. A subida e a queda do saldo ele anotou de passagem no verso da nota: o 687.62, dois segundos a mais de olhar; era o mais magro da sequência, vivia só nas três horas antes do dia do pagamento, todos os anos assim, conta que ele já sabia de cor. A porta de enrolar da casa de macarrão, fechada pela metade; o dono lá dentro, movendo cestos de vapor; o calor saía pela fresta da porta.
Zona DA. No quadro branco: «Acessos este mês: 5». O banco corrido, vazio. Wu Yan com a pêra de soprar na mão.
— De novo.
— De novo.
Os números saíram: 126/81, pulso 90. A digital, de primeira. Assinou, placas, três caixas.
【Pré-autorização congelada: 60.00 yuans.】
10:01, carregando.
Primeiro veio um calor úmido.
A bacia da massa no banquinho quadrado, a boca coberta com o pano da vaporera úmido; no pano, um círculo escuro empoçado. Ela junto à bacia, erguendo um canto do pano, apertando a massa com o dedo. Apertava, via a cavidade subir, e tapava de volta.
— Chegou — disse ela, sem se virar. — A massa tá no ponto de força. Senta; não pisa naquele pano.
Acima à direita: 27:58.
No balcão do fogão, as duas palmilhas lado a lado, enroladas num rolo, presas com um elástico.
— Prontas, as suas — disse ela. — Leva as duas, vai alternando; não gasta um par só até o fim.
Ele pegou o rolo de palmilhas do balcão e segurou na mão.
— Experimenta e vê.
Encostou no pé para ver. No avatar, o mesmo sapato de couro, a ponta batida de branco.
— Grossas, né — disse ela. — Primeira vez aperta um pouco. Costurada apertada, não afunda.
Ela apertava a massa. — Últimamente não confio no nariz; o nariz não presta, tudo cheira igual. É de apertar com o dedo: a cavidade subindo rápido, tá fermentada.
— Bicarbonato demais, amarela; de menos, azeda — disse ela. — A mamãe anda sem certeza: sai do vapor amarela ou crua. A de hoje... — fez uma pausa — ...tem cara de certa.
— Mamãe, queria perguntar uma coisa.
— Fala.
— De agora em diante, quando alguém ligar, conversa um pouco mais.
— As pessoas andam ocupadas.
— Pergunta se comeu, o que veste, se o quarto tá frio, se o negócio vai bem, como vão as crianças na escola. Perguntando tudo, do lado de lá eles anotam pontos.
— Pontos de quê.
— Pontos de trabalho — disse ele. — Quem mais trabalha, mais ganha.
Com as mãos na massa, pensou um pouco. — Do lado de lá também se usa pontos de trabalho?
— Usa.
— E os pontos caem pra quem.
— Pra senhora.
— Pra que pontos em cima da mamãe — disse ela. — Pontos não servem pra mamãe.
— Dá pra trocar por coisa — disse ele. — Por cupom pra consertar coisa.
Ela não perguntou o que se podia consertar. Virou a massa, dobrou em três, apertou com a base da palma.
— Igual na equipe de produção — disse ela. — Naquele tempo dos pontos de trabalho, a mamãe era a de primeira classe entre as moças. Costurar sola de sapato: oito li o par. Fiar um fuso: um ponto de trabalho. A mão da mamãe era rápida. Do lado de vocês também vale isso?
— Vale.
— Naquele tempo, apontar ponto pedia saber ler — disse ela. — Na equipe, só eu e o contador liamos tudo. No acerto de fim de ano, eu lia o caderno de pontos por eles, do canto do galo até apagar o lampião. Um número lido errado, e o trabalho de um ano de alguém ia por água abaixo; cada número eu lia três vezes.
Ergueu o pano, olhou a massa e tapou de volta.
— E do lado de vocês, quem aponta.
— O sistema.
— O sistema... — pensou um instante. — É o lado de lá, então. Eles apontam, a coisa não se perde.
— Eu faço de Chuanchuan — disse ele. — A senhora atende uma vez.
— Como se fosse de verdade?
— Atende.
— Alô? Chuanchuan? Comeu. Comeu o quê. Teu quarto tá frio, ligou a caldeira, não fica apanhando frio pra poupar um trocadinho. O negócio vai bem, os cobradores já foram. Não vira a noite; dinheiro não se acaba de ganhar, sono não se paga de volta. E o teu irmão, vocês tão juntos ou não; se não tão, você liga pra ele, aquele tem as coisas no peito e na boca não solta...
Ela foi em frente, sem precisar pensar no meio.
Ele escutava. Completa, ativa, positiva. Pelo padrão, aquele trecho era ótimo.
— Tá — disse ele. — É isso.
— É isso? — ela não acreditou muito. — Assim já dão ponto?
— Dão.
— Se soubesse antes — disse ela. — A mamãe perdeu um ano à toa.
— O que a mamãe precisa perguntar pra cobrir tudo.
— Comida, roupa, saúde, negócio, criança.
— Não vou decorar; vou anotar.
Pescou da gaveta meio lápis e um papel de maço de cigarro, estendeu no balcão, fez ele ditar e escreveu. Saíram três linhas: Comeu? Tá com frio? E o negócio? Os pontos de interrogação, bem cravados. Terminou, soprou o papel e metiu debaixo daquele ímã da geladeira, colado no «Fechei o gás?».
— Esqueceu, olha — disse ela.
Esticou a massa num rolo, cortou as porções, cada porção puxada do mesmo tamanho.
— E se a pessoa tiver mesmo pressa — disse ela. — A mamãe segurando a pessoa dez minutos no telefone, não atrapalha o trabalho dela?
— Não atrapalha.
— E a conta do telefone. Fala curta; o que economiza fica pra vocês.
— Não importa.
— Gente como vocês — disse ela. — Só sabe dizer «não importa».
— E se a pessoa do outro lado tiver uma urgência no meio da ligação.
— Se tem urgência, a pessoa fala.
— Verdade — disse ela. — Quando vocês dois eram pequenos, ocupavam o telefone fazendo lição de casa, gente batendo na porta; seu pai trancou o telefone no armário e a chave ficava no bolso da camiseta térmica; gastou três camisetas térmicas, e a chave nunca se perdeu.
As porções giravam na mão dela e ela as achatava, enfileirando uma a uma na vaporera; ao chegar à quinta, de passagem igualou os espaços, para o vapor não grudar um no outro.
— A casa do lado, a do senhor Guan, também anota ponto?
— Anota.
— O telefone dele não toca o ano inteiro — disse ela. — E anota pra quem ver.
Dito isso, emendou mais nada; achatou a última porção na vaporera e a endireitou.
Panela no fogo. Molhou o pano da vaporera, estendeu, pressionou a tampa e, sobre a tampa, pesou um pano de louça.
Serviu meia tigela de água morna, pôs no outro canto do balcão e recuou um passo.
— Fica aí. Molha a garganta.
Ele ergueu, bebeu um gole e devolveu a tigela.
【Restante: 04:12】
Ela endireitou o tronco, enxugou as mãos duas vezes no avental e olhou para ele. Olhava o lugar do peito onde o crachá fica pendurado.
— Camarada — disse ela. — A mamãe vai perguntar uma coisa séria.
— Pergunte.
— Esses pontos, dá pra usar pra outra pessoa?
Ele se lembrava da primeira metade daquela letra miúda: transferíveis. A segunda metade não veio na hora.
— Dá pra transferir — disse ele. — É que a outra pessoa... depois eu vejo pra senhora.
— Não precisa ver — disse ela. — Se dá pra transferir, basta.
Ela abaixou o fogo para médio e pôs outra chaleira no fogo.
— Quando a água ferver, cada um vai pro seu lado — disse ela. — Não faz como da outra vez, aí parado feito bobo.
【Restante: 01:00】
O número ficou um pouco mais branco.
— O mantou leva vinte minutos — disse ela. — Você não dá conta de esperar.
— Não dou.
— Da próxima vem comer — disse ela. — Desta vez o bicarbonato no ponto.
【00:30】
O número começou a piscar.
Ela ergueu o canto do pano sobre a tampa e olhou o fogo. O círculo de chama azul, bem parelho.
Preto.
Ele abriu a mão direita. Nas linhas da palma, nada. As palmilhas estiveram dentro; não saem.
Boca seca. Água, meio copo, morna, gole a gole. O relógio da parede: 10:31.
【A visita profunda terminou】 Acesso: 10:01 — Saída: 10:31 Duração da sessão: 30:00 Cobrança: 2.00 yuans/minuto × 30 = 60.00 yuans 【Liquidação】débito da pré-autorização realizado.
O celular vibrou uma vez. Débito no banco: 60.00; saldo: 7,467.62.
【Total pendente de liquidação da conta】41,507.70 (1.20 já integrado no dia de faturação de 14/12) 【Cronograma restante: 267 dias.】
Faltavam dois campos na ata. Resultado do objetivo da visita: nenhuma expressão de vontade obtida. Grau de cooperação da personalidade: cooperou. Enviou.
【Número da ata: DA-R-0417-003; conservação: 3 anos.】 【Formulações fora do roteiro registradas à parte: 3.】 【Cota mensal restante: 1.】 【Próximo acesso possível: 2023-12-16 10:31.】
De volta ao posto, mandou mensagem a Liang Chuan.
«Sábado às 10:00 da manhã, liga pra mamãe. Marca os cinco minutos completos, nem um segundo a menos.»
Do outro lado, «escrevendo...» por um bom tempo, e parou. Mais de quarenta minutos depois, veio uma frase:
«Cinco minutos falando o quê?»
Ele respondeu: «O que ela perguntar, você responde.»
Não veio resposta.
Pôs o celular virado pra baixo na mesa. O rádio do corredor tocou: simulação de incêndio hoje à tarde, evacuação em ordem pelas escadas de emergência. Na zona de terminais, ninguém ergueu a cabeça.
Abriu a página da conta e puxou a coluna de pontos para perto. Saldo: 3.
Embaixo, o catálogo de troca. Pacote de voz, 30. Cupom de restauração, 200. Meia tela mais abaixo, a palavra «mais», em cinza. Não clicou. Esta coluna ele tinha olhado três vezes hoje; o número não se mexia. Ponto é dessas coisas: por mais que se olhe, não aumenta.
Fechou a página. Na divisória do posto, uma tachinha com a bandeirinha vermelha do trimestre passado pregada, o papel desbotado de sol. Esticou a mão e endireitou a bandeirinha um pouco. A tachinha não estava frouxa; foi a mão dele que pesou ao mexer nela; o papel não ia ficar muito torto. Endireitou mesmo assim.