A Conta do Alémpor Ren Inaba

15 · Entrar outra vez

Capítulo 15 · 11,3 mil palavras

Quinta à tarde, o informe semanal de casos de cuidado devolvido pela segunda vez.

Ele havia escrito «o cliente demonstrou compreensão; ânimo estável». O comentário de Feng Tuo, uma palavra: ação.

Na página de agendamento escolheu sexta, 10:00 da manhã, DA-P03. O sistema aprovou num segundo; o tipo de ordem gerado automático: piloto de cuidado · 2.ª visita profunda. A coluna do aprovador, vazia.

No menu suspenso, «piloto de cuidado» vinha abaixo de «notificação de disposição»; escolhido, flutuou uma linha miúda: visitas deste tipo não consomem a avaliação de ações de disposição; contam como amostragem de OKR.

Na reunião de segunda de manhã, Feng Tuo leu as taxas de recuperação; ao chegar à região de Guanzhong, pausou, e não apontou ninguém. No fim, no elevador, Feng Tuo disse: — No informe semanal, concreto. Que dia, quem visitou, o que se falou. 200 caracteres bastam.

Na terça ele havia pago 105; o SMS chamava «pagamento em nome de outrem · taxa de ocupação da fila». Saldo: 3,252.62. No dia do pagamento, a janela havia mostrado uma linha: pagar em nome de outrem a taxa de ocupação da fila não interrompe a redução do cronograma nem altera o prazo da disposição terminal. Pagou assim mesmo.

Sexta de manhã, esvaziou o copo; o resto do fundo, sacudido na pia. Passando pela casa de macarrão, o dono colava um papel vermelho no vidro: novidades de inverno; não ergueu a cabeça.

No extremo oeste do 3.º andar, a plaquinha de plástico «manutenção» continuava pendurada na porta da DA-P02, os cantos enrolando mais um pouco. No quadro branco: «Acessos este mês: 4». O traço do mês passado, aquele que não sai de todo, continuava lá, atravessado embaixo da linha.

Wu Yan soprava poeira de um teclado. A pêra de soprar rosa, um aperto a cada vez.

— O crachá.

Código, digital. Indicador direito; leu de primeira.

— A pressão.

A braçadeira era a mesma; o velcro, empelotado. Os números saíram: 129/83, pulso 92.

— Mais baixo que da última vez — disse Wu Yan. — Bom sinal.

— Hm.

— O jejum, assine aqui.

Assinou. «O solicitante declara por si.» A expressão, segunda vez; assinou mais rápido que da primeira.

No banco corrido, sentado um velho de gorro acolchoado, um embrulho de pano no colo, o pano amarrado em cruz. No fundo do corredor, chamaram: DA-P04. O velho se levantou, apertou o embrulho contra o peito; ao passar, o gorro raspou no batente e soltou um tufo de fiapo.

Faltando 2 minutos para as 10:00, Wu Yan gritou de dentro: P03.

A cadeira era a mesma. O pedaço rasgado do braço com couro novo, um tom mais escuro em volta, como um remendo. Duas placas na nuca, duas nas têmporas; a pasta condutora fria, o mesmo cheiro de cola.

Três caixas de seleção; marcou uma a uma.

【Pré-autorização congelada: 60.00 yuans. Terminado o acesso, liquidação pelo tempo real; o minuto incompleto conta como completo.】

A linha miúda continuava: o custo desta visita é incorporado ao total pendente de liquidação da conta AC-0417.

10:01, carregando.

Primeiro veio o frescor.

Atrás da porta, couve-chinesa empilhada, uma cabeça sobre outra, empilhada até a cintura; nas do fundo, as folhas de fora secas, murchas contra o coração. No fogão, nenhuma água posta. Ela sentada no banquinho dobrável, uma palmilha estendida no colo, o dedal na segunda falange do indicador, a linha enrolada 2 voltas no dedo do meio.

Na parede, pregado, um calendário de parede, paisagens; a folha do mês sem arrancar. Ela ergueu os olhos, viu-o; a linha na mão não parou.

— Chegou — disse ela. — Lá fora tá frio, né; fecha a porta.

Fechou a porta. O corredor lá fora não existia mais; às costas, parede, e na parede um pano de mão pendurado, endurecido, dobrado em duas camadas, de pé.

— Já comeu?

— Comi.

— Toma uma água antes de falar, teu lábio tá descascando — disse ela. — No termo é a água de ontem, morna.

— Não bebo.

— Não quer, não toma.

Acima à direita: 28:14.

Ela costurava a palmilha. Pontos em fileiras, em diagonal. O dedal polido de brilho. Cosia 7 ou 8 pontos, passava a agulha pelo cabelo, e seguia.

— Esta palmilha é pra você — disse ela. — Você calça 42, pé carnudo; tem de vir apertado de pontos; frouxa, em 3 dias afunda.

— Hm.

— Hoje é dia quanto? — perguntou.

— Oito.

— Oito de novembro?

— Dezembro.

A agulha na mão dela parou um instante. — Novembro nunca faz esse frio — disse ela. — Já estava na hora de comprar couve. Olha essa minha memória. — Ergueu o queixo para a pilha atrás da porta. — No tempo em que era 5 fen o jin, sua avó pegava a sacola de rede, 20 cabeças às costas por viagem, soltando folhas pelo caminho inteiro, duas crianças atrás apanhando.

Soltou uma risada e seguiu costurando.

— Este ano veio pouca. — Contou, de olhos na pilha atrás da porta. — 23 cabeças. Por este tempo, nos outros anos, 40 pra começar; na escada todo mundo empilhava; de olhar, via-se quanto tinha em cada casa. Seu pai empilhava o mais aprumado: raiz para fora, uma camada sobre a outra, parede de pedreiro.

Empurrou para dentro a cabeça de cima da pilha.

— A taxa de aquecimento do seu quarto, já pagou?

— Paguei.

— Quanto.

— 28 por metro quadrado.

— Vinte e oito — ela provou o número. — Um roubo.

— O Chuanchuan ligou semana passada — disse ela. — Duas frases e desligou; será que o celular dele não presta, sinal fraco. Vive de negócio; no fim do ano, cobrador parado na porta, ele tá ocupado. Quando o vir, diga pra ele trocar de celular, não de número.

— Hm.

— Na casa da mamãe, atender não custa nada — disse ela. — Se ele tá ocupado, que ligue; dar um toque e desligar também serve; a mamãe olha pro número e já sabe que ele está bem.

Ele não emendou.

O ponto vermelho no canto inferior esquerdo, ali, sem piscar. Em 3 anos, todas as palavras passaram por ali.

Terminou uma palmilha, deu mais uma volta de linha no dedo do meio, se ergueu e alcançou o costado da coifa. O recibo colado, a borda empinada; apertou com o polegar.

— Esse recibo está colado aqui há 2 anos — disse ela. — A data empoçou, não se lê. E por aqui ninguém vem ler o medidor.

— Não vem ninguém.

— Não vem ninguém. — Retirou a mão. — Uma preocupação a menos.

Sentou de volta e seguiu costurando.

Terminou uma fileira, deu outra volta de linha no dedo do meio e ergueu os olhos.

— Xiao Cheng, a mamãe vai te perguntar uma coisa. Ela enxugou as mãos na perna da calça. — Você não vem com conversa pra me enrolar.

— Pode falar.

— O dinheiro de casa, tá apertado?

Ao lado da têmpora dela flutuou um ponto amarelo, do tamanho de uma ervilha, sem piscar. Embaixo do ponto, letras miúdas: percepção de mora: baixa.

A palavra «apertado» chegou à beira dos dentes.

— Agora existe um plano — ouviu a si mesmo dizer. — Parcelado. Até 60 parcelas, entrada de 8,000, cada parcela menor que a anterior. Posso deixar uma via dos materiais para a senhora ver; sem pressa de assinar.

Ouvia a si mesmo recitando. Na segunda linha, parou.

As seis linhas do detalhe ele sabia de cor; não leu um único número em voz alta.

Ela não olhava para ele; olhava a palmilha.

— Oito mil — repetiu o número, sem perguntar o resto. — Oito mil, nos velhos tempos, dava pra um bom ataúde, envernizado.

A agulha empurrada contra o dedal, atravessou; a linha esticada.

— A roupa de enterro do seu pai, ele mesmo comprou — disse ela. — Em cima do guarda-roupa grande, embrulhada em pano azul, sem contar a ninguém. Só achei quando arrumei a casa. Seu pai, em vida, deixou tudo resolvido com antecedência; não deixou nenhuma dificuldade pra ninguém.

Mordeu um pedaço da linha, emendou, friccionou o nó.

— A mamãe nesta vida nunca foi peso pra ninguém; morta também não vai ser — disse ela. — Esse plano de vocês, não pendurem em cima da mamãe.

O ponto amarelo piscou, apagou, acendeu de novo.

— A palmilha tá quase pronta — disse ela. — Da próxima, vem buscar. Fica na mesa; pega você mesmo.

— A senhora, por lá... — começou, e parou.

— Por aqui tudo é por conta do público — disse ela. — Comida, cama, médico, num serviço só. Lá fora é que custa dinheiro.

Enquanto dizia isso, arrumava a linha, a ponta enrolada no dedo, 2 voltas, e sacudia.

Acima à direita: 12:47.

Levantou, tirou uma cabeça da pilha de couve, apartou duas folhas de fora, pôs na bacia e sentou de volta.

— Hoje você veio em hora de trabalho, né — disse ela. — O que disse pro seu chefe?

— Disse que era serviço de campo.

— Serviço de campo é bom. — Ela assentiu. — Carro do público?

— Metrô.

— Metrô é caro — disse ela. — Uns yuans por viagem. Lá têm passe mensal? Antes a fábrica reembolsava o passe: verde, grande daquele tamanho, com foto colada.

Ela mediu no ar, do tamanho de uma mão.

— Esta palmilha é pra você, e o sapato de inverno já tá na hora de trocar — disse ela. — O seu já tinha emagrecido no ano passado; a mamãe faz a conta: nesta época do ano você já devia ter trocado, não adianta negar; desde pequeno o seu sapato de inverno dá despesa, dois pares por inverno, a ponta é a primeira a furar.

— Um par basta.

— Dois pares, alternando — disse ela. — Secam mais rápido.

A folha do calendário ela mesma virou: para a frente, de volta; a mesma folha. A casa do mês, vazia; a do dia, estampada de flores, flores vermelhas.

— No último mês do ano, a coisa aperta — disse ela. — No tempo da sua avó, entrado o último mês, já não se podia mexer em agulha nem linha: diziam que espetava o olho do deus da riqueza. A mamãe não liga pra isso; as mãos da mamãe não ficam paradas.

Os pontos seguiam, fileira por fileira.

【Restante: 04:56】

— Na sua empresa — disse ela —, na véspera do Ano Novo, distribuem arroz, farinha e óleo?

— Distribuem.

— Distribuindo, toma — disse ela. — Recusar o que dão de graça é coisa de bobo. O filho do senhor Wang, do óleo que a empresa dava reclamou do peso do galão, não quis; voltou pra casa e levou sermão da mãe o inverno inteiro.

— A sua empresa, no fim do ano, fecha as contas?

— Fecha.

— Fechando, está bom — disse ela. — Contas fechadas, casa pro Ano Novo.

Virou a palmilha, contra a luz da porta, para ver se os pontos estavam fechados.

— Esta ficou pronta — disse ela. — A outra, da próxima. Esperou com pressa, foi?

— Sem pressa.

— Esse turno de vocês, não deixa a pessoa sentar — disse ela. — Duas visitas, e nem um gole d'água.

【Restante: 01:00】

O número ficou um pouco mais branco.

Prendeu a agulha na palmilha, com a linha, levantou, estendeu a palmilha no fogão, alisou e recuou um passo.

— Fica aqui — disse ela. — Da próxima você vem buscar. Ou manda teu irmão buscar: o pé dele é igual ao seu, só que mais magro, calça 43.

Ele olhava a palmilha. Base azul-marinho, linha branca, pontos em flor de osmanto.

【00:30】

O número começou a piscar.

Ela de pé junto ao fogão, a mão agarrada à frente do casaco de tricô, sem mais falar. A cabeça de cima da pilha de couve se mexeu um pouco para fora e encostou na parede.

Preto.

Boca seca. Não se levantou; segurou no encosto da cadeira e contou até 10.

Wu Yan foi descolando as placas uma a uma, passou a água, meio copo, morna. Bebeu gole a gole; a garganta soou uma vez.

O relógio da parede: 10:31.

Wu Yan recolhia os cabos ao lado. — Hoje foram dois, um atrás do outro. Enquanto esteve lá dentro, o de fora não sentou um instante: de pé, abraçado ao embrulho, olhando a parede.

【A visita profunda terminou】 Posto de acesso: DA-P03 Conta: Zhou Sufen / AC-0417 / TL-0417 Acesso: 10:01 — Saída: 10:31 Duração da sessão: 30:00 (cobrada por 30 minutos) Cobrança: 2.00 yuans/minuto × 30 = 60.00 yuans

【Liquidação】débito da pré-autorização realizado.

O celular vibrou na gaveta. Débito no banco: 60.00; saldo: 3,192.62.

【Total pendente de liquidação da conta】 Principal de mora e encargos: 41,386.50 Custo de disposição acumulado: 120.00 Total: 41,506.50 A integrar: 1.20 (integra no dia de faturação do mês seguinte)

【Cronograma restante: 274 dias.】 【Geração da ata】faltam dois campos a preencher.

No resultado do objetivo da visita escolheu a terceira opção: nenhuma expressão de vontade obtida. No grau de cooperação da personalidade, escolheu: cooperou.

Enviou.

【Número da ata: DA-R-0417-002; conservação: 3 anos.】 【Cota mensal restante: 2.】 【Próximo acesso possível: 2023-12-09 10:31.】

A página não fechou; flutuou de novo a janelinha: avaliação da experiência deste acesso (opcional), 5 estrelas vazias. Clicou no x. Antes de se recolher, piscou, como da outra vez.

A página não fechou. Embaixo flutuou uma janela, branca, com uma borda amarela.

【Detectada provável percepção de mora】 Esta sessão tem 2 registros de disparo (minuto 07:41 e minuto 21:09 da sessão). Pelo Regulamento de manutenção da continuidade da personalidade, deve-se executar a suavização cognitiva. Previsão de ajustes desta vez: 1–3 entradas. Enviar?

【Enviar】【Cancelar】

Olhou as duas teclas, uma e outra.

Clicou em Cancelar.

Antes de a janela se recolher, embaixo surgiu uma linha miúda: esta operação ficou registrada; vai ao arquivo com a ata; conservação de 3 anos.

De volta ao posto, abriu primeiro a página de orçamento do backup a frio.

Orçamento do serviço de restauração: 8,600.00. Condição prévia: conta sem pendente de liquidação. Pendente de liquidação atual: 41,506.50. Os dois números, na página, separados por uma linha; nenhum toca o outro.

Olhou meio minuto e fechou.

Deixou as duas atas abertas lado a lado. DA-R-0417-001, a coluna do resumo da sessão: vagem, caramelo de açúcar, número de calçado. 002: couve-chinesa, palmilha, taxa de aquecimento.

Depois abriu o informe semanal, apagou «o cliente demonstrou compreensão» e digitou: segunda comunicação presencial concluída; a personalidade cooperou; ânimo estável. O contador mostrava 189/200. Completou com uma frase a mais: os familiares, sem objeção por ora.

Enviou. Feng Tuo não respondeu.

Pescou a nota adesiva da capa do crachá. As 5 linhas estavam: 1800×0; Xiao Cheng 411 Chuanchuan 96; dinheiro 3 dever 0; K-11 09:52:11. Leu do começo ao fim, não acrescentou, dobrou, meteu de volta.

A capa abombada: ao passar na catraca, precisa apertar.

Continuar para o próximo capítulo

16 · Ensinar ela a juntar pontos

Comentários (0)

Entre para participar da discussão

Entrar