A Conta do Alémpor Ren Inaba

18 · O sétimo toque

Capítulo 18 · 10,8 mil palavras

Terça, 8:50 da manhã, sobre o posto de Su Man um papel a mais.

Impresso, A4, o carimbo do Departamento de Conformidade no canto superior direito. Ela o meteu debaixo da planilha A3, apertou três segundos, voltou a puxar, alisou e pôs ao lado do teclado.

> 【Notificação de quitação de mora (vinculada à auditoria especial)】 > Após levantamento, a auditoria deste ano confirmou que a pessoa vinculada é a própria senhora (L-0137); tipo de vínculo: pagadora real em nome de outrem. Conforme o artigo 9 das Normas de gestão de contas vinculadas de funcionários, pagamento em nome de outrem por conta que não é própria deve usar a linha de crédito em nome da própria funcionária; o total de mora de pagamento em nome de outrem pendente de liquidação em seu nome: 23,476.80 yuans. > Prazo de quitação: até as 16:00 de quarta, 20 de dezembro de 2023. > O que vencer sem quitação passa em bloco para a fila terminal e será disposto conforme as regras da fila.

Embaixo, sete linhas. Número da fatura, nome, tempo de conta, mora.

Zheng**, quatro anos, 3,340.66.

Wang**, nove anos, 4,876.02.

Li**, seis anos, 3,558.46.

Su**, quatro anos, 5,102.77.

Gao**, cinco anos, 2,314.88.

Zhang**, sete anos, 3,077.53.

Chen**, quatro anos, 1,206.48.

A última linha era o total, com um ponto no fim.

Su Man leu de cima a baixo, virou o calendário de mesa para o dia seguinte e traçou uma linha vertical na casa das 16:00. Então começou a telefonar.

A primeira ligação foi pro banco. Liang Cheng sentado em frente, a duas filas de posto, alcançava o ritmo da voz dela, não as palavras. Quarenta segundos, três frases, desligou. A segunda foi pro Recursos Humanos. Essa foi mais longa.

— Quantos dias de férias anuais me restam... Doze. Converter... Este ano só converte isso? Tá.

Desligou, preencheu um requerimento na página. Dez minutos depois chegou o SMS; deu uma olhada e pôs o celular virado pra baixo.

10:05, abriu a página da Pontuação de Piedade Filial. Na casa da linha de crédito, só quatro algarismos: 6,800.00. Clicou em ativar, escolheu as parcelas, 12, prestação mensal 566.67. Arrastou o contrato até o fim, sem parada no meio, e assinou.

Creditado: 6,800.00.

10:30, abriu também o aplicativo do cartão de crédito e pediu limite temporário adicional. A resposta veio por SMS; leu e apagou; nos segundos em que a tela ainda estava acesa, Liang Cheng alcançou a primeira linha: avaliação geral, ainda não aprovada.

Pôs o celular de face pra baixo na mesa, levantou, encheu um copo de água, bebeu de pé junto ao bebedouro e voltou a preencher o requerimento.

Antes do meio-dia, resgatou também, pelo banco do celular, um depósito a prazo. De três anos, sem vencer; juros contados como à vista. Creditado: 6,835.00.

Ao meio-dia, Liang Cheng desceu almoçar; ao passar pela casa de macarrão, o dono descascava alho. Pediu duas tigelas, uma pra levar. De volta ao posto, deixou a tigela no canto da mesa de Su Man, sem falar.

Su Man comeu às 14:00. Comeu com os olhos na tela, os pauzinhos sem parar. No fundo da tigela ficou um gole de caldo; ergueu a tigela e bebeu.

15:00, os 4,200.00 da conversão do Recursos Humanos entraram.

Numa nota, fez uma coluna: 6,835.00, 6,800.00, 4,200.00. Embaixo, traçou uma linha horizontal e escreveu total: 17,835.00. Mais embaixo, outra linha: 23,476.80. No vão entre os dois números, deu toques com a ponta da caneta; não escreveu um terceiro número.

23,476.80 menos 17,835.00, 5,641.80. Esse número ela não escreveu. Liang Cheng terminou de fazer a conta por ela, do seu lugar.

Abriu o banco no próprio celular. Saldo: 7,467.62. Ficou alguns segundos no número e fechou. Se desse tudo, o buraco tapava; na terça que vem, a taxa de ocupação da AC-0417, 105.00, sem origem; o pagamento do adiamento, 6.00, sem origem; o aluguel, 2,400, esperando no dia 15. Puxou da capa do crachá a cópia da própria planilha de pagamento, deu uma olhada e meteu de volta.

16:00, foi até o posto de Su Man e parou.

— Chefe Su.

— Vai trabalhar — disse ela, os olhos sem sair da tela.

— Eu—

— A sua ainda não tá quitada — disse ela. — Pela regra, você me emprestando agora, eu aceitando ou não, é infração. Esqueceu o formulário de ontem?

Não tinha esquecido. Na segunda página do formulário, a linha dela também ele tinha visto: sete contas vinculadas, classificação de risco alta.

Voltou. No meio do caminho, puxou da unidade compartilhada os seis modelos de plano de parcelamento, formatou um a um e mandou pro e-mail dela na intranet. No assunto escreveu: para referência. Depois de enviar, apagou o registro de envio.

18:30, a área de trabalho esvaziada pela metade. O carrinho de Qi Yue parado na boca da escada de emergência, a roda de fita virada pra dentro.

19:00, Su Man ainda sentada. Liang Cheng também não tinha ido.

19:20, de duas filas de posto, ela disse: — Xiao Liang. Vem conferir um número.

Ele foi. Ela virou a planilha A3 pro verso; no verso, a lápis, sete linhas, as mesmas sete da notificação, com duas colunas a mais: familiares, avaliação de recuperação.

— Zheng**, a esposa viva; o filho visita todo mês — lia ela.

— Wang**, a filha fora da cidade, postura correta.

— Li**, o filho de boca dura, já assinou um parcelamento.

— Gao**, a velha junta sozinha, quita uma parcela a cada festa.

— Zhang**, a comunidade cuida, não escapa.

— Chen** — fez uma pausa —, dos Chen não sobrou ninguém; um sobrinho, que manda dinheiro uma vez por ano.

Seis linhas lidas. Pousou o lápis.

A sétima não leu.

Liang Cheng olhava a linha. Su**, quatro anos, 5,102.77. A coluna dos familiares, em branco. A da avaliação de recuperação, em branco também.

— Essas seis — disse ela. — Amanhã de manhã quito cinco, à vista. A de Chen** vira parcelamento, entrada de cinquenta por cento. Calcula a entrada pra mim.

Cinquenta por cento de 1,206.48: 603.24. As cinco quitadas à vista somavam 17,167.55; com a entrada de 603.24, 17,770.79. Ela tinha recebido 17,835.00; sobravam 64.21.

Liang Cheng escreveu os números no verso da planilha e empurrou. Ela leu e traçou uma linha a lápis embaixo do 64.21.

— Amanhã cedo imprime pra mim os seis documentos, nessa ordem — disse ela. — Tudo resolvido até as 14:00; não deixe para em cima das 16:00. Documento feito em cima das 16:00 sai com erro.

— E o sétimo — perguntou ele.

Guardou o lápis no porta-lápis. — O sétimo eu mesma resolvo.

— Como.

— Amanhã você fica sabendo — enrolou a planilha, prendeu com o elástico. — Vai dormir. Amanhã você tem o seu próprio trabalho.

Ele andou até a boca da escada de emergência e olhou pra trás. Ela sem acender a luminária, sentada à luz da tela; a garrafa térmica invertida sobre o papel-toalha, o círculo de água do fundo seco, deixando uma marca na borda.

Quarta, 8:30 da manhã, o primeiro a tocar foi a impressora. Seis documentos; Liang Cheng os ordenou na sequência que ela tinha dito, a casa do recibo em branco, empilhados um a um na mesa dela.

9:00, Su Man começou. A cada quitação, o sistema devolvia um SMS, e ela dobrava o documento ao meio e o metia debaixo da garrafa térmica. 10:40, os cinco documentos alinhados. 11:00, o parcelamento de Chen** aprovado, entrada de 603.24 debitada com sucesso, 12 parcelas, 50.27 por mês.

> 【Confirmação de quitação】Conta AC-3122-0714 (Zheng): a mora do período, 3,340.66 yuans, quitada em sua totalidade. Obrigado pela colaboração. > 【Confirmação de quitação】Conta AC-2958-4406 (Wang): a mora do período, 4,876.02 yuans, quitada em sua totalidade. Obrigado pela colaboração. > 【Confirmação de quitação】Conta AC-3081-7735 (Li): a mora do período, 3,558.46 yuans, quitada em sua totalidade. Obrigado pela colaboração. > 【Confirmação de quitação】Conta AC-3160-0229 (Gao): a mora do período, 2,314.88 yuans, quitada em sua totalidade. Obrigado pela colaboração. > 【Confirmação de quitação】Conta AC-3019-5568 (Zhang): a mora do período, 3,077.53 yuans, quitada em sua totalidade. Obrigado pela colaboração. > 【Parcelamento acatado】Conta AC-3347-0190 (Chen): plano de parcelamento acatado: entrada de 603.24 yuans; saldo em 12 parcelas, 50.27 yuans por mês.

Ao meio-dia, Qi Yue veio conferir os números: riscou seis das sete linhas, pôs um ponto de interrogação a lápis na sétima, não disse nada e foi com o carrinho.

13:00, o celular de Su Man tocou. Olhou quem ligava e atendeu: a esposa do senhor Zheng. A voz do outro lado, alta; a área de trabalho em silêncio; dava pra ouvir o essencial: se o dinheiro tinha saído do bolso dela, que iam pagar, que o filho não sabia de nada. Su Man disse pro aparelho: — Do dinheiro, passado o meio-dia, não fale mais. Guarde bem o recibo. Desligou. Desligada, escreveu na casa de hoje do calendário uma palavra: recibo, e fez um círculo.

13:50, Wu Yan subiu entregar uma ordem de manutenção. Deixou a folha na mesa de Liang Cheng e ficou de pé.

— Hoje tem programação no B2 — disse ele. — Depois das 16:00, sobrescrita.

— De quem.

— Na ordem não vai nome, vai nó — disse Wu Yan. — B2-07. Sobrescrita física de setores, completa em até setenta e duas horas; pessoa não entra, a máquina corre sozinha. — Inclinou a cabeça na direção do andar de baixo. — Os ventiladores daquela sala giram o ano inteiro. Apagar um disco a mais, e eles não giram uma volta a mais.

Ele foi embora.

15:40, Su Man se levantou, pendurou o crachá e foi andando pra salinha. Qi Yue já lá dentro, o notebook aberto.

A folha A4 da porta tinha trocado: tramitação de negócio vinculado em curso.

Liang Cheng não foi. Sentado no posto, alcançava a metade de cima do vidro fosco daquela porta. Quinze para as 16:00, a porta abriu uma fresta; Qi Yue saiu, pegou do carrinho uma prancheta preta e voltou pra dentro.

16:02, a porta abriu.

Su Man saiu com um recibo na mão. Andou de volta ao posto, sentou, meteu o recibo debaixo da garrafa térmica, empilhado com os outros seis.

Ninguém falou. Doze pessoas na zona de terminais; o som dos teclados parou alguns segundos e voltou. Os ventiladores do ar central giravam como sempre, zunindo, em ondas.

Liang Cheng viu depois o formato daquele recibo: o modelo que circula no sistema; toda baixa tramitada por qualquer um é igual:

> 【Recibo de solicitação de baixa de conta】 > Tipo de solicitação: baixa por iniciativa da pessoa vinculada > Conta: AC-2893-1104 (Su**) / Nível 3 · Padrão > Verificação de identidade: a própria pessoa vinculada (relação mãe-filha; certidão de cancelamento do registro de residência 2019-12-04) > Tempo de conta: quatro anos. Cronograma restante: 133 dias. Mora: 5,102.77 yuans (cancelada com a baixa). > Pontos não usados da conta: 3. Transferir para conta do mesmo nível / renunciar. Escolha: renunciar. > Opcional: ligação de despedida (90 minutos, cobrança à parte). Escolha: não contratada. > Nó de execução: B2-07. Sobrescrita física de setores, completa em até 72 horas, irreversível. > Assinatura da solicitante: (assinatura eletrônica) > Recebimento: 2023-12-20 15:47

Segundo contaram depois os que viram o documento passar no fluxo: na casa da assinatura, entregue a prancheta, ela deu dois traços, na mesma velocidade com que assina qualquer nota de reembolso. A prancheta voltou; Qi Yue conferiu o documento de identidade, disse «pode ser», e foi só isso.

16:00 em ponto, o prazo se fechou. O carrinho de Qi Yue saiu da área de trabalho; a roda de fita não soava no tapete, soou duas vezes no chão duro da boca do elevador, e entrou.

17:30, Su Man recolheu as coisas. Encheu a garrafa térmica de água, rosqueou a tampa. Enrolou a planilha A3, prendeu com o elástico e enfiou na lateral da bolsa. Na porta corta-fogo, parou meio passo e disse a Liang Cheng uma frase:

— No informe semanal, nada do que houve hoje. Escrever é escrever pra nada; não passa na auditoria.

Ela foi embora.

Liang Cheng ficou sentado até as 18:00. Primeiro mandou mensagem a Liang Chuan: «Sábado às 10:00 da manhã, mesma hora. Cinco minutos, nem um segundo a menos.» Enviada; na conversa, a frase de quatro dias atrás, «Cinco minutos falando o quê?», parada no fim, e embaixo nada de novo.

Depois abriu o grupo do time. 17:59, Su Man tinha mandado no grupo uma palavra, seguida de um emoji:

> Su Man: Resolvido [sorriso]

O [sorriso] é o que vem no sistema: carinha redonda amarela, canto da boca reto. Qualquer um manda; não precisa baixar.

Doze pessoas no grupo. Embaixo da mensagem, ninguém emendou. Os recibos de entrega em fila: sete lidos.

Pôs o celular virado pra baixo na mesa. O rádio do corredor tocou: manutenção de rotina do ar-condicionado do prédio B hoje à noite, refrigeração suspensa depois das 22:00. Na zona de terminais, ninguém ergueu a cabeça.

Ele se lembrou da casa de macarrão do mês passado. Aquele dia o celular dela tocou sete vezes, sete toques; o último, uma voz de criança, duas palavras, um «mamãe», um «tá». Quando acabou de tocar, ela pôs o celular virado pra baixo na mesa e disse: come o macarrão.

Agora, sentado no posto, passou a coluna de números de novo por ela: 3,340.66, 4,876.02, 3,558.46, 2,314.88, 3,077.53, 1,206.48. Os seis somavam 18,374.03; com 5,102.77, 23,476.80. Nem uma conta a mais, nem uma a menos.

Do outro lado do prédio, o B2-07 começava a correr suas setenta e duas horas.

Comentários (0)

Entre para participar da discussão

Entrar